Jogando a saga Metal Gear Solid – Parte 3 / Metal Gear Solid 3 – Snake Eater (PS2 – 2004)


Sobrevivência, Espionagem e Vilões Fantásticos

Confesso que a primeira vez que joguei Metal Gear Solid 3 não entendi o que estava acontecendo…a piada com a máscara de borracha de Raiden no começo, o ano de 1964 não fazia sentido….e lá estava, Solid Snake (pelo menos eu achava), nem mais velho, nem  mais novo, com equipamentos antigos e seguindo ordens de um tal de Zero…cadê o Coronel Campbell?

É claro que na auriedade dos meus 14 anos não me preocupei muito com isso, e continuei jogando…claro que quando Ocelot apareceu eu percebi que aquilo de alguma forma era uma prequela, e assim não aproveitei totalmente aquela história de origem impressionante.

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Agora jogando novamente percebo que Metal Gear Solid 3 não conseguiu ganhar meu favoritismo perante ao 2º episódio por ousar mexer na fórmula dos 2 primeiros jogos, com MGS 3 Kojima conseguiu dar muito mais liberdade ao jogador, e apesar de uma história linear, tinha cenários mais amplos e exploráveis.

Em MGS 3 não há um complexo militar onde o jogador precisa ir e voltar com chaves e itens, não existem plataformas aquáticas para exploração numerada. Não, Naked Snake raramente voltava ao mesmo cenário nesse jogo, e para mim essa foi a maior evolução, não havia mais aquele apego ao level design, mas desse vez Kojima criou locais e situações sempre distintas que faziam a história progredir como em outros jogos, como Resident Evil 4 na época, mas com muito mais liberdade e opções.

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O jogo apostou em diversos cenários florestais, e num sistema de sobrevivência, onde além de buscar equipamentos para cumprir suas missões, Snake também se vê na necessidade de caçar seus próprios alimentos. Para ser bem sincero, esse sistema de alimentação não é tão profundo, sendo que animais para caça são constantes em todos os ambientes e não há tanta urgência do consumo.

Claro que todas essas novidades tornou o 3º jogo um Metal Gear muito mais dinâmico, mas na minha opinião algo se perdeu, talvez o charme dos primeiros jogos de PS1 que ainda estava impregnado em minha mente, mas o game não conseguiu me encantar tanto quanto o 2º jogo da série.

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Apesar de não trazer Solid Snake de volta, dessa vez a história nos apresenta uma nova lista de ótimos personagens, Comandante Zero, tem uma relação de amizade com Naked Snake, diferente de Campbell e Solid, os dois se respeitam como iguais.

Chamar Para Medic para bater um papo no CODEC é realmente satisfatório, seja para salvar o game, onde ela geralmente conversa com Snake sobre diversos filmes das décadas de 50 e 60 (das quais ele nunca viu nenhum) ou durante as missões, principalmente depois de caçar algum novo animal, pois apesar do esforço da moça em despertar o interesse de Snake sobre a fauna em geral, ele só quer saber qual é o gosto de cada bicho, isso rende diversas conversas hilárias, inclusive um momento em que Medic chama Snake de canibal por ele se alimentar de cobras.

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Dos personagens de apoio, Eva também se destaca com seu charme de espiã dupla alla 007, e The Boss que é um caso a parte, pois ela é praticamente a protagonista espiritual da aventura.

Apenas Sigint que acho meio deslocado, mas talvez seja porque as conversas sobre equipamento e armamento sempre são as que menos me chamam atenção em Metal Gear.

Os vilões, novamente são o grande trunfo desse game. Se tem algo que o senhor Kojima sabe fazer é construir vilões, há quem diga que os vilões são sempre unidimensionais e temáticos demais, mas na minha opinião, assim como os vilões do Batman, esse “temas” e habilidades específicas que são inseridas em cada vilão, trazem uma personalidade única que fica gravada nas memórias do jogador. E para um video-game isso é providencial.

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Aqui não há Fox Hound ou Dead Cell, mas sim a temida Cobra Unit, comandada por nada mais e nada menos que The Boss, a mentora de Snake.
O plot do game entrega que The Boss virou a casaca e passou a trabalhar para a União Soviética, traindo os EUA em plena guerra fria.

Cabe então a Naked Snake a missão de recuperar o cientista russo, Nikolai Sokolov em uma semana, para provar a inocência dos EUA pelas ações tomadas pela Boss.

Bom, voltando aos vilões, a Unidade Cobra possuí vilões muito bons que possuem suas próprias características, The Pain pode controlar abelhas, porém por ser o primeiro boss do game, não existe grande dificuldade em derrota-lo.

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The Fear é mais inspirado, tendo uma camuflagem invisível e se movimentando como uma aranha viva, o vilão utiliza agilidade para se esconder e acertar Snake com dardos paralisantes. A grande sorte de Snake é que dá para ver The Fear com o equipamento de visão de calor.

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The End é um dos vilões mais memoráveis da série, um sniper, provavelmente com mais de 100 anos, que guarda seus últimos suspiros de vida para a batalha final com Snake. Nela Kojima imaginou que seria um duelo entre francoatiradores que poderia durar dias, e dá para ver a tentativa de que The End seja rápido, preciso e desapareça rápido, para que o jogador o procure com cautela e sem pressa.

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Outras curiosidades sobre The End que testei nessa jogatina, foram os easter eggs envolvendo sua morte. Em um momento do game é possível ver o vilão sendo levado para dentro de uma base em uma cadeira de rodas, nesse momento existe uma pequena janela de tempo onde é possível mata-lo! mesmo antes de sua “boss-battle”, se fizer isso toda a cena de luta contra o inimigo simplesmente não acontece depois.

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Uma outra brincadeira dos criadores é a possibilidade de The End morrer de velhice, para isso acontecer é necessário entrar em batalha contra ele, salvar o game e demorar alguns dias para voltar ao jogo (ou simplesmente adiantar o calendário do console), isso faz com que ao retornar o vilão morra sozinho e uma cutscene…. genial!

Depois temos The Fury, um vilão com roupa de astronauta, um jet pack e um lança chamas, na minha opinião uma combinação letal que o coloca como um dos vilões mais difíceis de toda a série (claro que talvez eu não tenha achado a tática certa para derrota-lo, pois apanhei demais!)

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The Sorrow não é bem um vilão, mas sim um fantasma de um membro da Cobra Unit, em seu encontro com ele há simplesmente uma enorme cena onde Snake atravessa um lago onde encontra todos os vilões e soldados que ele matou até aquele momento.

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E ao chegar até o final da travessia ele implemente cai morto!

Demorou bastante até eu sacar que durante a tela de Game Over era possível usar o item de ressurreição….

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Temos o jovem Ocelot, extremamente carismático tendo uma relação de Bromance, rivalidade e respeito por Snake durante o jogo, o que o torna um dos vilões mais bem construído através de toda a série. Os 2 duelos contra ele são ótimos.

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Finalizando a ótima lista de malignos personagens, o Coronel Volgin, um brutamontes com poderes elétricos e tendências homo-afetivas que atazana a vida de Snake nesse game. Volgin é um vilão extremamente astuto e impiedoso, disposto a qualquer coisa para conquistar seu objetivo.

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Ele é responsável pelos mini-games de tortura desse MGS, sendo que seus métodos são os mais violentos da franquia.

Volgin também é parcialmente responsável por Naked Snake perder seu olho esquerdo
(o tiro foi disparado por Ocelot).

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Como nos outros jogos da série, além de grandes batalhas contra os chefes, esse Metal Gear também oferece fases de infiltração e sabotagem, sendo que em um momento é necessário se fantasiar como Ivan Raidenovitch Raikov, que na verdade é uma versão de Raiden que Kojima inseriu como easter egg para os fãs do segundo jogo.

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Os últimos atos se tornam frenéticos a medida que a máquina Shagohod é apresentada, uma arma que seria uma percursora das Metal Gears, comandada pelo Coronel Volgin e devidamente destruída por Snake e EVA.

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O clássico final coloca Snake contra The Boss em um campo de flores, a batalha física e pscicológica dos dois se tornou um marco instantâneo na franquia, sendo que não é nada fácil acabar com a senhora que inventou os golpes CQC, ainda mais quando há um limite de tempo!

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O final do game, como todo Metal Gear apresenta diversas reviravoltas e agentes triplos que não convém citar para não alongar ainda mais esse texto. Porém o mais importante é que o agente Snake, patriota que lutou pelos EUA até o fim, derrotou sua mentora, e ultrapassou as habilidades de The Boss, sendo condecorado pessoalmente pelo próprio Presidente dos Estados Unidos como Big Boss!

Metal Gear 3 inovou a franquia novamente, preparando um ambiente e uma nova linha do tempo para que Peace Walker e The Phantom Pain fechassem a história de Big Boss com Tactical Espionage Operations.

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